Content
  • PT
  • ENG
© Flickr/ ellie-yannis
Artigo
Publicado em 11/11/2013 por Cláudia Azevedo

Ver mal ao perto a partir de uma certa idade é como ter cabelos brancos ou rugas. O braço bem estica, fica mais comprido, tentando acertar no ponto exato em que as letras deixam de estar desfocadas e se tornam finalmente nítidas. Mas, afinal, o que acontece aos olhos?

Já deu por si a afastar uma folha de papel para conseguir ler? Não consegue ver as letras pequenas dos rótulos no supermercado ou das bulas dos medicamentos? Então provavelmente terá presbiopia, vulgarmente conhecida por “vista cansada”.

Se é o seu caso, há uma boa e uma má notícia. A boa notícia é que a presbiopia não é uma doença, antes corresponde a um processo natural de envelhecimento que atinge todas as pessoas a partir dos 40/45 anos. A má notícia é que não há como evitar a presbiopia.

Por outras palavras, os olhos também envelhecem, tal como o resto do nosso corpo. “A presbiopia resulta da evolução normal das estruturas oculares. Eu costumo dizer aos meus doentes que é como ter cabelos brancos ou rugas. É uma situação normal”, explica Paula Tenedório, Diretora do Serviço de Oftalmologia do Hospital Pedro Hispano/Unidade Local de Saúde de Matosinhos.

A acomodação é a chave

“Para lermos – habitualmente a distância de leitura é de 33 centímetros –, precisamos de ter uma capacidade de acomodação de cerca de 3 dioptrias. Quando começamos fisiologicamente a perder essa capacidade de acomodar, vamos ter a imagem desfocada ao perto. A tendência, no início, é afastar os objetos, esticando o braço. Por isso, muitas vezes a presbiopia é conhecida como síndrome do braço comprido. E é verdade! Às vezes, as pessoas têm de esticar 70 ou 80 centímetros para conseguirem ver nitidamente”, continua.

Claro que tudo dependerá da perda fisiológica da capacidade de acomodação do olho. “A acomodação tem a ver com o cristalino [ver recursos], a lente natural do olho. Quando há acomodação, os músculos ciliares, existentes no olho, contraem-se, as fibras zonulares relaxam e moldam a curvatura do cristalino para aumentar a sua potência dióptrica, permitindo que vejamos bem ao perto. Com o envelhecimento, o cristalino aumenta de volume e perde elasticidade, o que faz com que perca a capacidade de aumentar a sua curvatura”, esclarece.

De facto, “as crianças e os jovens têm um poder acomodativo enorme (os adolescentes têm entre 12-16 dioptrias de acomodação; após os 50 anos a acomodação é inferior a 2 dioptrias). A partir dos 40 anos, com a alteração fisiológica, normal do cristalino, começamos a perder essa capacidade. Como o cristalino fica maior e menos flexível, os músculos ciliares, por mais que se contraiam, não conseguem torná-lo tão curvo como dantes”.

Desta forma, a imagem não se forma na retina, mas atrás desta e a visão ao perto está diminuída. Notamos nesta altura que é preciso ir ao oftalmologista. Chegou a hora de usar óculos! Para muitos pela primeira vez!

Lentes intraoculares podem ser solução

Além da dificuldade em ler, sintoma que se agrava quando se tenta ler com pouca luz e ao final do dia, pode ocorrer fadiga ocular e mesmo dores de cabeça, sobretudo se a profissão exigir muita leitura. O problema tende a agravar-se até cerca dos 60 anos, altura em que pode estabilizar.

Habitualmente o problema corrige-se com a utilização de óculos com lentes convexas. “Começamos com uma graduação mais pequena, à volta de uma dioptria, e depois, com a evolução, vamos aumentando a graduação”, indica a oftalmologista.

A questão complica-se quando as pessoas já veem mal ao longe e passam a ver também mal ao perto. Tipicamente são pessoas que têm miopia e que tiram os óculos, na tentativa de ver melhor ao perto. Nesse caso, a receita passa por usar lentes multifocais progressivas, que requerem, contudo, um período de adaptação. Outra hipótese é a cirurgia oftalmológica, com colocação de lentes intraoculares progressivas. “Aos 40 anos, é precoce. Devemos deixar passar os 50 anos”, aconselha.

E a história da avó com 80 anos que vê perfeitamente e até enfia a linha na agulha? Segundo Paula Tenedório, “não é normal”. As cataratas, doença que afeta sobretudo os mais idosos, podem miopizar o olho, pelo que a pessoa vê bem ao perto, mas vê mal ao longe. Não é possível, aos 80 anos, ver bem ao perto e ao longe”.

 

Foto: Flickr/ellie-yannis

 

Este artigo deu origem a uma pergunta no quiz de ciência LabQuiz, um divertido jogo desenvolvido pelo Ciência 2.0 para Android e iOS.
Disponível na Google Play:
https://play.google.com/store/apps/details?id=air.ciencia20.up.pt.quiz

Disponível no iTunes:

https://itunes.apple.com/WebObjects/MZStore.woa/wa/viewSoftware?id=937234713&mt=8

 

 

Partilha


Comenta

Consola de depuração Joomla

Sessão

Dados do perfil

Utilização de memória

Pedidos à Base de dados