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Artigo
Publicado em 4/9/2013 por Fernando Rodrigues*

Será que os estímulos sexuais vendem mais? Serão os homens tão “primitivos” que não conseguem “não reagir” a um estímulo sexual? Será que os estímulos sexualizantes e faces belas aumentam o consumo?

Alguns estudos neurocientíficos demonstram que os estímulos eróticos ativam os circuitos de recompensa monetária e recompensa por drogas. Quando expostos a um estímulo sexy num determinado domínio, isso afeta decisões noutros domínios também. Num estudo realizado os resultados mostraram que as pistas sexy levam a maior impaciência na escolha inter-temporal entre recompensas monetárias. Apresentando assim o papel de um circuito de decisões, consegue-se demonstrar que os sujeitos com um sistema de recompensa mais sensitivo são mais susceptíveis ao efeito das “pistas” sexuais, que o efeito que generaliza as recompensas não monetárias, e a satisfação atenua o efeito [ver referências].

São vários os estudos [ver referências] que demonstram que a exposição a estímulos sexualizantes influenciam o nosso poder de tomada de decisão, quer uma decisão económica, quer no que se refere a uma decisão de compra imediata perante algo mais caro.

O “apetite” sexual induz o desejo monetário, de consumir chocolates e sumos, o que, alinhado com as descobertas neurológicas sugere que o processo de recompensa financeiro e sexual é processado de forma similar no cérebro, como uma espécie de sistema de recompensa generalizado. Porém, em sujeitos em que o sistema de recompensa é insensível, os estímulos sexuais não geram esta impaciência generalizada, o que nos faz deduzir que o “apetite” sexual instiga uma maior urgência para consumir o que quer que seja, onde por exemplo um estímulo sexualizante aumenta o nosso apetite, pode mudar a escolha do sujeito influenciando a que coma um bolo em detrimento de fruta na sobremesa num restaurante e aumenta a própria motivação dos sujeitos [ver referências].

Isto leva-nos à conclusão que o sexy pode ser utilizado para sistemas de gratificação a curto prazo, pois gera impaciência temporal e estimulação imediata nos circuitos de decisão, que vão trazer mais prazer e ativa o primeiro sistema mais impulsivo. Contudo, este não deve ser utilizado para recompensas a largo prazo, pois gera impaciência como no caso dos dependentes, que o vão fazer ficar impaciente, ativando o segundo sistema mais cognitivo [ver referências].

Referências:
1 (Bergh, Dewitte, &Warlop, 2007)
2 (Bergh&Dewitte, 2006; Wilson &Daly, 2004; Stark, et al., 2005; Ariely&Loewenstein, 2005)
3 (Bergh, Dewitte, &Warlop, 2007)
4 (Bergh, Dewitte, &Warlop, 2007; McClure, Laibson, Loewenstein, & Cohen, 2004)

*Fernado Rodrigues é doutorando em Neuropsicologia Clínica  na Universidade de Salamanca e docente no Instituto Politécnico de Leiria e no IPAM nas áreas de consumo e Neuromarketing.

Imagem: Flickr/runran

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