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© Hugo de Sousa
Artigo
Publicado em 18/6/2013 por Renata Silva

A toupeira que vemos na foto foi um verdadeiro desafio para Hugo de Sousa, biólogo, de 30 anos que se dedica por paixão à fotografia da natureza. Numa atividade onde a persistência e a paciência são fundamentais, há ainda muitos animais por registar para dar a conhecer ao público, que não lê artigos científicos, um determinado animal, habitat, planta. 

O que mais gosta de fotografar?

Tenho particular gosto em fotografar animais no seu estado selvagem, pela proximidade a que estamos para os retratar e por testemunhar a enorme multiplicidade de animais e adaptações aos seus habitats.

Como chegou à fotografia da natureza?

Cheguei à fotografia de natureza por me interessar por fotografia e pela minha formação académica. Sou biólogo, embora não exercendo na área, e a conjunção dessas minhas duas paixões foi algo inevitável... Comecei com uma simples compacta, mas depressa me apercebi que queria aprender mais e fazer melhor. Talvez por isso tenha abdicado da viagem de finalistas de curso e ter direcionado esse orçamento para a minha primeira máquina e duas lentes. E foi a partir daí que comecei a fazer algumas imagens e a procurar aperfeiçoar a técnica.

Qual o animal que foi mais difícil de fotografar?

Das poucas espécies que tenho fotografado, uma vez que o faço somente por paixão, terá sido provavelmente a toupeira. Trata-se de um animal que muito raramente vem à superfície e que quando o faz usa uma das inúmeras aberturas que a sua galeria subterrânea tem em contacto com o solo. Para além disso, é extremamente rápido a cavar e foi complicado conseguir fotos como queria... 

Quais são os maiores desafios que se impõem a um fotógrafo da natureza?

Os maiores desafios são, para quem não faz da fotografia de natureza a sua atividade profissional, conseguir conciliar por vezes a vontade de fotografar e o não poder fazer devido a obrigações profissionais. Além disso, o conseguir permissões de entidades ou proprietários de um terreno onde observámos uma determinada espécie com o intuito de fazer umas imagens.

Que características tem de ter, na sua opinião, um bom fotógrafo da natureza?

Tem que ter principalmente um grande fascínio e amor pela natureza... Só assim terá a energia e a vivacidade para contornar e quebrar os desafios que surgem. Grandes doses de paciência e persistência são também fundamentais.

Pode contar-nos alguma história engraçada ou peripécia que tenha acontecido enquanto fotografava?

Uma das que me lembro e que conto mais frequentemente aconteceu há uns anos, a fotografar abelharucos. Tinha estado a fotografar uma colónia bastante pequena uns dias antes e, querendo procurar um ambiente mais envolvente do que tinha nas imagens, procurei fazê-lo num campo de centeio a poucos metros do primeiro local.

Com o material todo montado por baixo dum sobreiro, e dentro da tenda, sem os animais a cooperar, vejo ao longe um jipe a aproximar-se, ouvindo um casal a falar um com o outro... O homem a vociferar, a mulher a berrar-lhe para ligar à GNR... Saí da tenda, com a máquina de forma ao senhor saber o que estava a fazer, e expliquei-me. Ficou tudo em bem e tive permissão para ficar por ali. Aprendi a lição, ainda que não estrague nada e esteja num local onde não prejudicava a cultura, procuro sempre saber quem são os donos do terreno, de forma a explicar-lhes o que quero fazer e se tenho permissão para tal.

Qual é, para si, a importância de um fotógrafo da natureza no panorama geral da ciência?

Os fotógrafos de natureza são a meu ver de extrema importância na conservação e proteção das espécies, de habitats... de todo um ecossistema. São o primeiro contacto que o público tem com um determinado motivo da natureza. As pessoas não pegam em publicações ou em artigos científicos de forma a ler os motivos de declínio por exemplo dos anfíbios. No entanto, uma imagem circula muito mais rapidamente graças às redes sociais e pode ter um extraordinário impacto na sensibilização das pessoas.


Que projetos tem para o futuro? O que ainda lhe falta fotografar?

Como já referi, tenho ainda poucas espécies fotografadas e os projetos são muitos. Para já, ainda este verão, quero fotografar as grandes aves necrófagas... O britango é por exemplo uma das minhas aves preferidas e que tenciono fotografar. Esse será o mais próximo, seguindo-se a brama dos veados.

Foto: Toupeira (Talpa occidentalis)

 

© Hugo de Sousa

[Ver galeria de imagens do autor]

 

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