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Artigo
Publicado em 7/5/2013 por Cláudia Azevedo

Imagina que tens várias orelhas externas, a partir das quais consegues ouvir o som do teu corpo por dentro, desde o bombear do sangue à transformação dos alimentos no estômago, passando por sons de um feto em gestação. Está tudo na “Sinfonia para um Corpo Só”, obra criada por Mónica Amado e que esteve patente na exposição “Ciência e Arte”, que o Ciência 2.0 organizou, juntamente com o Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto. 

E se fosse possível termos uma terceira orelha que nos remetesse para o nosso ruído interno, para a agitação de outra forma inaudível do nosso próprio organismo?

Mónica Amado colocou a questão e meteu mãos à obra, inspirada na obra de Stelarc, pseudónimo de Stelios Arcadiou, um artista performativo que procura na tecnologia eventuais extensões para um corpo humano já obsoleto.

“A ideia partiu um pouco do projeto do Stelarc que é precisamente a implantação de uma terceira orelha no braço. Daí eu falar do corpo acusmático”, explica a autora. 

“Sinfonia para um corpo só” vem ainda na linha de investigação que Mónica Amado seguiu na sua tese de Mestrado, altura em que teve de contactar com os meios e os aparelhos usados em Medicina. “Quis desapropriá-los e trazê-los para o processo criativo e artístico”, conta, referindo algumas resistências a esse cruzamento. 

Uma experiência imersiva

Mas, afinal, como funcionavam as orelhas? Dentro de cada uma, existiam leitores de MP3 com sons capturados através de microfones e equipamentos vários, alguns feitos pela própria artista. “Dependia do tipo de som que queria capturar, como, por exemplo, ultrassons, para que fosse audível”, revela. 

O método de gravação do som utilizado foi o binaural, um método que usa dois microfones para criar uma sensação de som 3D para quem ouve. O segredo da obra está na sua imersividade.

“Faço deslocar o som no espaço, virtualmente, através de um programa de computador. Se nós fecharmos os olhos, temos a sensação de que o coração anda à nossa volta, de que o estômago anda à nossa volta. O objetivo era que as pessoas se imaginassem a fazer uma viagem dentro do corpo humano”, afirma.

Mónica Amado é atualmente professora de Educação Visual e Tecnológica em Santa Maria da Feira, mas teve sempre um trabalho criativo paralelo, isto é, esteve sempre com “um pé fora do ensino” para não perder o contacto com “o terreno”. A performance é o seu mundo, procurando conciliar teatro, dança, som, vídeo, numa ponte entre tecnologia e arte que respira criatividade. 

 

Este artigo deu origem a uma pergunta no quiz de ciência LabQuiz, um divertido jogo desenvolvido pelo Ciência 2.0 para Android e iOS.
Disponível na Google Play:
https://play.google.com/store/apps/details?id=air.ciencia20.up.pt.quiz

Disponível no iTunes:

https://itunes.apple.com/WebObjects/MZStore.woa/wa/viewSoftware?id=937234713&mt=8

 

 

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