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Artigo
Publicado em 6/3/2013 por Cláudia Azevedo

O Ciência 2.0 foi falar com Paulo Cunha e Silva, comissário da Exposição-Conferência “Tríptico”, em que a Arte e a Ciência são descontruídas, numa circunstância triangular, em torno da Luz, do Corpo e da Morte.

“Na Arte e na Ciência, a inspiração e a aspiração são as mesmas. No fundo, ambas aspiram a um conhecimento maior do Homem e a responder à pergunta central que é: afinal, o que fazemos aqui?”.

Quem o diz é Paulo Cunha e Silva, comissário da Exposição “Tríptico”, que teve o condão de juntar a Universidade do Porto, o Museu Soares dos Reis e o Museu de Serralves. Este é mais um projeto em que a Arte e a Ciência se tocam, em que a obra de arte se associa a um registo científico, na busca de um sentido para a realidade que nos rodeia.

Apesar de a Arte e a Ciência partilharem interesses comuns, não deve haver confusões: “Há pessoas que dizem que, no limite, Arte e Ciência são a mesma coisa. Eu digo que não! Eu digo que Arte e Ciência são absolutamente diferentes”.

Assim, “Arte e Ciência têm metodologias e mecanismos de legitimação completamente diversos. A Ciência precisa da prova; a Arte dispensa a prova. Aliás, o que nós procuramos na obra de Arte é que ela não seja provável, é que ela seja original. Na Ciência, embora a descoberta tenha de ser original, tem de ser provada. Só se for reprodutível e verificável é que pode aparecer como válida e verdadeira, enquanto a Arte vive justamente do contrário, da circunstância de não ter de se provar”.

No entanto, continua, “Arte e Ciência podem complementar-se. É interessante olhá-las a partir dessa complementaridade. Arte e Ciência acrescentam-se e podem introduzir uma certa perplexidade. Essa perplexidade que uma convoca junto da outra pode ser bastante incrementante, bastante positiva”.

Arte e Ciência despertam discussão à volta da Luz, do Corpo e da Morte

De acordo com Paulo Cunha e Silva, “Tríptico é um projeto que recupera uma organização clássica da história da arte: a divisão da obra de três painéis, competindo a cada um desses painéis contar uma parte da história. Mais do que um tríptico, o projeto apresenta nove trípticos, em que a arte não contemporânea, a arte contemporânea e o modo de ver científico se cruzam e se desdobram em 27 olhares distintos sobre a mesma realidade”.

O três surge, aqui, carregado de simbolismo. São três instituições, três painéis, três obras de arte por cada painel, três olhares por cada obra, situadas em espaços e em tempos diferentes. Cada painel corresponde a uma peça de uma das três instituições envolvidas.

Segundo o responsável, “há uma interdisciplinaridade tríptica em que a obra é uma espécie de chapéu, de guarda-chuva da discussão, de cenário. Mais do que o pretexto, é o próprio texto, na medida em que adquire um protagonismo quase teatral em cena”.

“Os três trípticos contam a história do mundo: a ideia iniciática da luz, o aparecimento da vida e da humanidade (o corpo surge como mediador) e o fim, isto é, a morte, que também quer dizer ressurreição. São temas sobre os quais cada um destes três territórios tem muito a dizer”, sublinha.

Desde as “Casas Brancas de Capri”, de Henrique Pousão, e de “O Desterrado”, de Soares dos Reis, passando pelo políptico “Possessão” de Paula Rego, pela Instalação/Escultura “Is There Life Before Death”, de Thomas Shutte, até a um microscópio ótico, uma preparação anatómica e uma máscara egípcia, cada obra faz apelo a um modo de observar, de explorar e de problematizar o mundo e as suas metáforas.

 

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Paulo Cunha e Silva

Diferenças e semelhanças entre Arte e Ciência

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