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© Elizabete Marchante
Artigo
Publicado em 4/3/2013 por Renata Silva

Onde quer que estejam provocam estragos. Muitas conhecemos do dia-a-dia e até as usamos para ornamentação, mas a verdade é que são invasoras. Competem e invadem ferozmente o território de outras espécies.

Quem se recorda de ver o chorão-das-praias (Carpobrotus edulis), que se encontra nas zonas dunares, ocupando largos espaços? E a erva-das-pampas ou os penachos (Cortaderia selloana)? Ou as conhecidas como azedas (Oxalis pes-caprae L.)? Nem todas estas podem ser belas, é certo. Mas o que as une é serem uma ameaça para a biodiversidade, para a economia e algumas para a saúde pública.

Elizabete Marchante, do Centro de Ecologia Funcional, pertencente ao Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, faz-nos um retrato destas plantas, as quais cada vez mais se torna relevante conhecer: “tratam-se de plantas que são na sua maioria exóticas, ou seja não nativas de um determinado território, e que foram transportadas pelo Homem, acidental ou propositadamente. Quando chegam, arranjam vários meios para se dispersarem e se reproduzirem, aumentando a sua população e causando um impacto negativo”.

As invasoras andam à boleia não só do Homem, que transporta as suas sementes na roupa ou que as compra, mas também do vento, da água e das aves. Ou então pura e simplesmente estão durante anos depositadas em determinado solo. As estratégias variam consoante a espécie.

Plantas que nascem a partir dos incêndios

Ao aumentarem a sua população, vão constituindo um maior perigo e “acabam por interagir de forma negativa com a nossa flora e fauna”, conta a especialista. “Muitas vezes são competidoras muito eficientes e ocupam o espaço, a luz e os nutrientes, usando os recursos das outras espécies”, acrescenta.

Para determinados animais algumas invasoras são uma autêntica barreira física, impedindo-os de chegar aos seus habitats e fontes de alimento. Falamos da háquia-picante (Hakea sericea), natural do sul da austrália. Como o nome indica, é uma planta espinhosa, sendo muitas vezes utilizada para sebes de proteção. Hoje em dia é das mais perigosas no país e tem aumentado cada vez mais a sua população devido aos incêndios. Esta planta é favorecida por este fenómeno uma vez que quando ela arde os frutos abrem e as sementes são "catapultadas", espalhando-se por distâncias consideráveis. As temperaturas altas promovem a germinação das sementes. 

O priolo (Pyrrhula murina), ave endémica dos Açores, tem como inimigas várias espécies de invasoras que têm ameaçado o seu habitat. Recentemente fizeram-se ações de controlo destas mesmas plantas, o que tem ajudado na recuperação dos espaços onde ele se encontra. 

Jacinto-de-água altera completamente o seu ecossistema 

A agricultura e mesmo a pesca são também prejudicadas por estas espécies. Veja-se os casos das azedas e do jacinto-de-água (Eichhornia crassipes). As azedas são plantas de flor amarela, cujo caule muitas vezes é apetecível para as crianças. Podemos vê-las perto de zonas agrícolas, sendo que a sua presença diminui a produtividade nessas áreas.

O jacinto-de-água, por exemplo, “invade praticamente todo o espelho de água e o ecossistema fica completamente alterado (os peixes e o próprio fitoplâncton)”, alerta Elizabete Marchante.

A saúde pública é também um alvo de ameaça devido à existência das invasoras, em particular das acácias que largam pólen causador de diversas alergias.

Com tudo isto, o impacto económico medido é grande. “Segundo um estudo de 2009, mais de 10 biliões de euros por ano se perdem na Europa devido às invasoras. Falamos de impactos a nível de produtividade e a nível de controlo. É sempre um cálculo abaixo do real, pois existem consequências indiretas na biodiversidade que não se quantificam em dinheiro”, descreve a especialista.

A mimosa (Acacia dealbata), de origem australiana, é considerada das plantas invasoras mais agressivas, ocupando sobretudo zonas montanhosas. A erva-das-pampas tem aumentando também cada vez mais a sua população. Podemos ver esta invasora perto de autoestradas, em zonas mais perturbadas e em caminhos de ferro.

Envolver o público no controlo e prevenção

Em 1999 foi publicado o decreto-lei 565/99 que listava 29 plantas invasoras no país. Hoje conhecem-se 80 espécies, sendo que metade são potencialmente invasoras [ver glossário]. De realçar que nem todas as plantas exóticas são invasoras. Muitas delas são até essenciais na nossa alimentação, como a batata, mas necessitam da ajuda do Homem para se desenvolverem.

Para se minorar o impacto das invasoras no nosso país, a educação ambiental e a sensibilização são soluções nas quais se deve investir, segundo salienta Elizabete Marchante. “É um tema ainda muito desconhecido e é preciso aumentar a educação do público em relação a ele. Deve-se fazer sobretudo prevenção. As pessoas muitas vezes, por não saberem, acabam por contribuir para introduzir novas espécies ou dispersar as que já cá estão”, alerta a especialista.

De modo a promover um maior envolvimento do público na missão de controlar as invasoras, foi lançado um site com mais informação e com um mapa interativo, para o qual qualquer pessoa pode contribuir através do envio de informações sobre uma determinada espécie avistada e a sua localização. Fazer voluntariado e campanhas de sensibilização são outras atividades que podem ser levadas a cabo. Apostar na prevenção é importante, pois “o controlo é moroso e dispendioso, envolvendo muito tempo e mão de obra, para arrancar determinadas espécies do solo, por exemplo, ou mesmo para descascar outras cujo corte não é solução”, remata.

Glossário: 

Plantas potencialmente invasoras: são plantas nas quais se consideram um ou vários destes fatores: terem comportamento invasor apenas em alguns locais do território nacional, serem invasoras noutros países com clima mediterrânico ou serem de géneros parecidos com muitas espécies invasoras.

Na foto: Azedas / Foto: Elizabete Marchante

 (Alterado em: 05/03/2013)

 

 

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