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©Flickr/tommyhev
Artigo
Publicado em 18/2/2013 por Cláudia Azevedo

Há quem faça operações plásticas, quem tome antioxidantes e quem diminua a ingestão de calorias com o fito de rejuvenescer ou viver mais anos. Mas há quem vá ainda mais longe.

 

Aubrey de Grey está tão confiante que diz que a primeira pessoa a viver mais de 1.000 anos, provavelmente, já terá nascido. 

 

Este cientista e biogerontologista inglês, ligado, durante muito tempo, à Universidade de Cambridge, fundador dos Simposia SENS (Strategies for Engineered Negligible Senescence) e da Fundação Methuselah (Matusalém é um personagem bíblico que terá vivido cerca de 1.000 anos), propõe uma série de terapias para prevenir o aparecimento de doenças malignas e reparar os danos celulares e moleculares provocados pelo envelhecimento.

 

Considerando o envelhecimento como uma doença com tratamento e não como um processo natural, Aubrey de Grey sugere que as pessoas, atingindo uma determinada idade, sejam submetidas à inactivação completa da telomerase. Como muitos cancros possuem telomerase activa, a sua inactivação permitiria prevenir os cancros. 

No entanto, essa inactivação iria impedir que as células estaminais se dividissem. Para evitar essa perda irreversível, o cientista propõe a administração regular de células estaminais como forma de tratamento. A solução, na sua opinião, iria promover um equilíbrio entre a telomerase e as células estaminais. 

Já o cientista Ray Kurzweil acredita que a imortalidade será uma realidade daqui a 20 anos, graças ao conhecimento dos genes e à tecnologia informática, que permitirá ao ser humano reprogramar o seu organismo. O norte-americano crê mesmo que a nanotecnologia nos permitirá viver para sempre. 

A verdade é que vários estudos sugerem que o potencial máximo de vida humana será de 120 anos, mesmo que consigamos combater as doenças, os acidentes, os homicídios e todas as causas de morte. O corpo humano parece condenado ao fim. 

Há quem vá ainda mais longe e esteja disposto a gastar fortunas para se fazer congelar depois da morte, na esperança de que possa ser ressuscitado um dia. Outros pensam que os moribundos poderiam ser conservados num estado de hipotermia, colocando o seu metabolismo au ralenti, de modo a aumentar as hipóteses de sobrevivência no futuro. Perguntar-se-á: se a hibernação pode adiar a morte, a congelação poderá vencê-la? 

Mesmo que fosse possível reprogramar o nosso corpo, será eticamente aceitável? Quantos poderiam beneficiar destes tratamentos, potencialmente muito dispendiosos? Que programas de saúde teriam de ser suspensos de modo a serem canalizados fundos para estas investigações e tratamentos? Poderá a ciência prolongar indefinidamente a vida humana, substituindo as peças avariadas por peças artificiais construídas em laboratório? Afinal, para onde caminha a investigação científica? Ficam as questões. 

Para já, a morte continua a ser a nossa maior certeza. Há-de chegar um dia e levar-nos. A menos que, como no livro de José Saramago, “As intermitências da morte”, consigamos pôr-lhe “a língua de fora”.

 

Foto: Flickr/tommyhev

 

 

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