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©Xavier Pita
Artigo
Publicado em 31/7/2012 por Isabel Pereira

Libelinhas ou libélulas, são popularmente chamadas de “tira-olhos”, “helicópteros”, “corta-água” ou “lavadeiras”. Só em Portugal existem 66 espécies, e em todo o mundo são cerca de 6 mil. Conheça aquele que está no topo da cadeia alimentar dos insetos.

Chamam a atenção pelas suas cores vivas, pelo grande porte e pelo seu voo inconfundível. Em cada zona são designadas por um nome diferente, ou até por vários. Mas qual será o mais correto?

“O grupo das libélulas tem dois subgrupos: as libélulas de maiores dimensões e as de menores dimensões, com algumas diferenças anatómicas. Em inglês chamam-se dragonflies e damselflies. No nosso país a distinção não corresponde a esta. Há locais onde chamam a tudo libelinhas, há locais onde chamam a tudo libélulas e há ainda quem comece a usar os termos libélula e libelinha para separação dos dois subgrupos. A verdade é que em português o uso é arbitrário”, esclarece Sónia Ferreira, investigadora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, especialista nestes insetos.

Existem libélulas em quase todos os continentes, num total de cerca de 6 mil espécies por todo o mundo, sendo que as florestas tropicais e as ilhas do índico são zonas com maior diversidade. Em Portugal contam-se 66 espécies64 no continente, uma nos Açores e uma na Madeira – com uma grande heterogeneidade entre si. “No algarve, por exemplo, há espécies com origem africana, enquanto as espécies do norte têm influência europeia”, refere a especialista.

Temperaturas elevadas, altos níveis de humidade e água doce (parada ou corrente) são, geralmente, as condições essenciais do habitat destes insetos. Podemos encontrá-los, então, junto de lagoas temporárias, lagos, pequenos ribeiros, charcos ou grandes rios.

De larva a libelinha

O ciclo de vida da libélula começa por um ovo que é colocado dentro de água ou no meio de vegetação, daí sai uma pró-larva, passa a larva, e seguem-se várias mudas sempre dentro de água, onde se dá todo o desenvolvimento larvar. À última muda chamamos emergência, é aí que a larva se ausenta do meio aquático, subindo, seja por rochas ou pela vegetação envolvente. Nesta fase as asas surgem e expandem-se e começa a vida terrestre e voadora do animal. [ver recursos]

Temos agora uma libelinha como vulgarmente a conhecemos. O corpo alongado (seis a sete centímetros), a existência de dois pares de asas, muito finas e com bastantes nervuras, a cabeça com dois grandes olhos e umas antenas muito difíceis de ver são as principais características que permitem distingui-la.

Este inseto estava entre os mais antigos e primitivos, e enquanto outros continuaram a evoluir, ele manteve a sua estrutura de voo. O modelo de asas que existe hoje para a maioria dos insetos é anatomicamente muito diferente do das libélulas. Elas conseguem mover cada uma das quatro asas de forma independente, fazendo um voo muito característico que é um fator importante no seu sucesso como predadores. [ver recursos]

As libelinhas “são as aves de rapina dos insetos”, refere Sónia Ferreira. Elas estão no topo da cadeia alimentar destes animais, predando “qualquer coisa cujo tamanho permita”. Enquanto larvas podem alimentar-se de larvas de outros insetos que existam dentro de água mas também de pequenos girinos ou pequenos peixes. No caso dos adultos alimentam-se geralmente em voo, de todo o tipo de insetos voadores.

Quanto a predadores, as libelinhas devem temer algumas aves, como por exemplo o abelharuco, mas também as aranhas que fazem as suas teias junto aos cursos de água.

Libelinhas como bioindicador ambiental

Refira-se ainda que as libélulas têm sido usadas como importante bioindicador. “É um inseto que, apesar de primitivo, é complexo em várias dimensões”, afirma a especialista, explicando que o seu estudo “implica um enorme conhecimento do meio envolvente”.

A substituição da flora autóctone por plantações homogéneas, por exemplo, diminui o número de presas e consequentemente dificulta a alimentação. O número de libelinhas existentes pode, assim, ser indicador destas mudanças ambientais.

Enquanto larva, este inseto pode ser usado para medir os parâmetros de qualidade da água. Por um lado, a qualidade vai influenciar a existência ou não do inseto assim como o seu crescimento. Por outro lado, ao vermos quais as espécies presentes, e conhecendo as suas características biológicas, percebemos características da água (se está parada ou corrente, se é ou não rica em nutrientes, se tem mais ou menos oxigénio, entre outras).

Ilustração: Xavier Pita

 

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