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© Flickr/Thomas Marthinsen
Artigo
Publicado em 3/7/2012 por Renata Silva

“Eu ainda hoje tenho medo”. Hélder, de 28 anos, não o esconde. Está há três anos sem tocar numa droga. Mas a verdade é que a chamada memória das drogas nunca desaparece. O que a Ciência constata, Hélder resume: “Ninguém está livre”. É a cocaína que o assusta. A voz treme quando fala nela. Não lhe nega o lado bom, associado ao prazer. Mas sabe o quanto é nefasta. No cérebro é onde provoca mais estragos. 

O Ciência 2.0 foi procurar perceber o que têm as drogas, especificamente a cocaína, que as tornam tão viciantes. O que provocam no nosso cérebro? O que nos faz voltar ao seu consumo? Mas, ainda mais especificamente, depois da desintoxicação, será que o nosso cérebro as consegue esquecer?

Hélder precisou de apoio psicológico num centro de desintoxicação, para ultrapassar o seu problema. Apesar de não consumir, assume não se estar nunca livre. Teresa Summavielle, investigadora do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) explicou ao Ciência 2.0 este fenómeno apelidado de “memória das drogas”.

A híper ativação da amígdala

O sistema de recompensa do nosso cérebro é a zona mais afetada por estes estupefacientes. O córtex frontal, que regula este sistema que nos recompensa com libertação de dopamina, neurotransmissor responsável por sensações de bem-estar, deixa a certo ponto de conseguir cumprir a sua função, assumida agora pela amígdala, parte do cérebro mais emocional. Por este motivo, um toxicodependente assume um comportamento mais agressivo e menos racional. [ver recursos]

Estas mudanças no cérebro vão agravando e causam sequelas. “Alguém que foi consumidor, durante toda a sua vida, fica sujeito à memória das drogas”, explica a investigadora. Hélder consumiu drogas desde os 13 aos 25 anos. Existe ainda outro facto em relação ao consumo de estupefacientes: não é possível voltar atrás: “O cérebro pode recuperar, mas nunca volta a ser o que era antes do consumo”, avisa Teresa Summavielle. 

Se, por exemplo, uma pessoa que deixou de consumir uma droga, vê um filme com uma pessoa a injetar-se, verifica-se uma híper ativação da amígdala que despoleta a vontade de consumir. 

“É por isso que é tão fácil uma pessoa ter recaídas e tão dificilmente manter-se abstinente. Qualquer coisa que faça lembrar o consumo de drogas imediatamente provoca esta ativação”, acrescenta Teresa Summavielle. Por essa razão, é necessário que o tratamento seja feito longe de casa e do que faça lembrar os estupefacientes. 

A tudo o que relembra as drogas a quem já as consumiu, dá-se o nome de pistas ambientais, de que são exemplos os amigos, o sítio onde se consumia, entre outros.

Foto: Flickr/Thomas Marthinsen

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O que acontece no cérebro a propósito da "memória das drogas"?

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