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Artigo
Publicado em 31/10/2014 por Renata Silva

Um estudo publicado esta quinta-feira na revista PLOS ONE mostra que os morcegos mudam de "casa" com frequência, mas que apesar disso optam por pernoitar com os mesmos grupos sociais. Esta descoberta, da autoria dos cientistas do Centro de Ecologia e Hidrologia, das Universidades de Exeter e Oxford, tem importância ao nível da conservação destes animais.

A investigação confirma que os morcegos saem das suas "habitações", de dois em dias, mas não vão muito mais longe que o fundo de uma rua. Transpondo para a floresta, podem estar em árvores adjacentes, e portanto, se um conjunto de árvores for abatido, os morcegos podem não ir a tempo de se mudarem para um outro lugar.

Os cientistas perceberam também que estas "amizades" são duradouras, pois algumas destas relações prolongaram-se por mais de um ano. A estrutura dos grupos sociais dos morcegos difere entre duas espécies distintas que vivem na mesma floresta onde se realizou o estudo, no Reino Unido. Uma das espécies é o morcego-de-franja (Myotis natteri) que forma grupos sociais compostos por machos e fêmeas e a outra é o morcego-de-água (Myotis daubentonii) que separa os grupos por género.

O estudo, que teve a duração de cinco anos, envolveu uma experiência com quase 1500 morcegos das florestas de Wytham, nos quais foram colocadas pequenas bandas de alumínio nas patas. Para perceberem o percurso que faziam colocaram quatro transmissores de rádio a gravar os ultrassons. Os resultados corroboraram estudos anteriores sobre as deslocações destes animais.

"As redes sociais entre os animais são pouco conhecidas e são fundamentalmente importantes em processos como a forma como se espalha uma doença, por exemplo", refere, em comunicado, Fiona Mathews, investigadora da Universidade de Exeter. "Assim como as pessoas estão muito ligadas no Facebook, este trabalho mostra que nos sistemas animais, duas espécies muito próximas a viver no mesmo habitat podem ter diferentes tipos de grupos sociais", acrescenta.

As espécies abordadas no estudo também existem em Portugal. Enquanto o morcego-de-água tem um estado de conservação considerado "pouco preocupante", o morcego-de-franja encontra-se em estado "vulnerável". A destruição de abrigos é um dos principais fatores de ameaça destes animais.

Foto:  flickr/stuartanthony

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