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Diana Barreto © Grupo Lobo
Artigo
Publicado em 14/9/2012 por Renata Silva

Em Portugal, o lobo ibérico (Canis lupus signatus) está em perigo. Estatuto que lhe foi atribuído já há mais de uma década e que se mantém. O homem ainda é o seu maior inimigo. O Grupo Lobo, uma associação não governamental ambiental e sem fins lucrativos, que trabalha em prol destes animais, procura desmitificar e mostrar que o lobo não é bem como o vemos nas histórias, nem o que nos contam nas lendas, mas um animal como muitos outros.

Se a história do lobo estivesse registada numa moeda, teríamos de lhe conhecer as duas faces. As mais conhecidas são os clássicos como o “Capuchinho Vermelho” ou “Os três porquinhos”, em que o lobo tem o papel de vilão.

Há que conhecer “o verdadeiro lobo”. De acordo com alguns autores, este canídeo tem várias subespécies, uma das quais o lobo ibérico que habita na Península Ibérica. “Esta subespécie foi descrita por Cabrera em 1907, como Canis lupus signatus”, explica ao Ciência 2.0 Francisco Petrucci-Fonseca, investigador e presidente do Grupo Lobo, que se dedica à pesquisa e conservação desta espécie.

O que caracteriza o lobo ibérico é essencialmente o seu tamanho, que é mais pequeno em relação às subespécies que habitam no Norte da Europa e a sua coloração.

O lobo ibérico encontra-se classificado como "Em Perigo", de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados, publicação do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas. 

“O homem é o predador do lobo”, refere Francisco Petrucci-Fonseca. Com o aumento da densidade humana, os ungulados selvagens (veado, corço e javali), que outrora constituíam a alimentação do lobo, começaram a desaparecer, obrigando-o a procurar uma alternativa. Assim, este animal passou a alimentar-se de animais domésticos, como as ovelhas, cabras e cavalos, causando prejuízos aos pastores, que passaram a persegui-los.

“Não anda ninguém a largar lobos”

“Como o lobo mata animais domésticos, o homem reage eliminando a causa dos prejuízos”, explica o especialista. “Em alguns sítios, matavam o lobo usando veneno, armadilhas ou os fojos, armadilhas construídas em pedra, que antigamente eram utilizados na sua captura”, acrescenta.

Esta perseguição é uma das razões que coloca o lobo ibérico em perigo. Uma outra prende-se com os muitos mitos e crenças que ainda hoje são espalhados sobre este animal, outrora considerado como a encarnação do diabo, de acordo com o que relata um artigo de Manuel A. Nunes. A ele estão associadas a noite e a floresta. Há quem ainda conte histórias de pessoas que largavam lobos no monte. "Os mitos relatam a largada massiva de lobos nas serras do Nordeste português por parte de grupos ecologistas e até do próprio Estado, com o intuito sórdido de lhes destruir a vida", pode ler-se no mesmo documento. No entanto, o investigador Francisco Petrucci-Fonseca desmistifica esta questão: “Não anda ninguém a largar lobos.”

Também a grande densidade de estradas e de construções condiciona a presença deste animal. O lobo procura refúgio, protegendos-e em zonas afastadas dos humanos. No entanto, estes locais  aos poucos vão começando a ser destruídos pela má gestão da paisagem. Ao contrário do que se possa pensar, o lobo vê no homem um predador e, por isso, reage com medo, afastando-se.

“Na zona centro do país, o lobo está a ter muitas dificuldades em encontrar alimento, pois estão a decrescer o número de rebanhos. Para além disso, estão a regressar muito lentamente a esses locais os ungulados silvestres de que se alimentava este predador”, alerta também Francisco Petrucci-Fonseca. Esta é uma das das razões que colocam em perigo este animal, que acaba por frequentar lixeiras e vazadouros, onde corpos de animais mortos são depositados. “Mas o número de animais mortos não é suficiente para que o lobo baseie a sua alimentação neles”, sublinha.

Por outro lado, em zonas como o Gerês, Bragança e em Espanha, regista-se o reaparecimento do lobo ibérico devido ao fenómeno de despovoamento do interior, que diminui a presença humana, fazendo surgir, também, naturalmente ungulados silvestres. “Se o homem fizer um bom uso do território, o que irá acontecer é que o lobo vai passar naturalmente a predar mais ungulados silvestres”, reforça Francisco Petrucci-Fonseca.

Voluntariado é uma das formas de ajudar o lobo ibérico

A trabalhar na recuperação, conservação e sensibilização do lobo ibérico está o Grupo Lobo que, desde 1985, tem realizado um trabalho também de investigação, tentando perceber, por exemplo, quais as causas da morte deste animal, cuja longevidade pode ir até aos 11 anos, quando em liberdade.

Ajudar os pastores a tornar o cão de gado mais eficiente na minimização dos ataques do lobo é um dos projetos a que se dedica este grupo e que tem feito, aos poucos e poucos, com que o lobo passe a ser visto de outra forma.

Um dos projetos de sensibilização e divulgação desenvolvidos por esta associação é o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, situado perto de Mafra, uma instituição que promove medidas de  divulgação ambiental. Neste espaço dá-se abrigo a lobos perseguidos pelo homem que, de outra forma, não teriam como sobreviver. Recria-se o habitat natural deste animal e o seu cuidado, alimentação e vigia, fica a cargo dos técnicos e de voluntários, que representam uma das muitas formas de ajudar e de participar neste projeto. 

Para ajudar também este canídeo está também em vigor uma campanha de angariação de fundos de modo a poder obter financiamento para a compra de terrenos, que irá assegurar a continuação do Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. 

Foto: Diana Barreto/Grupo Lobo

Este artigo deu origem a uma pergunta no quiz de ciência LabQuiz, um divertido jogo desenvolvido pelo Ciência 2.0 para Android e iOS.
Disponível na Google Play:
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