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Publicado em 21/11/2014 por Isabel Pereira

No dia mundial da televisão o Ciência 2.0 tenta perceber quais os caminhos para o futuro deste suporte. Interação, complementaridade entre meios e inovação tecnológica são as pistas deixadas pelos especialistas portugueses envolvidos em projetos inovadores nesta área.

O primeiro passo para a invenção da televisão foi dado ainda no século XIX, com a descoberta do selénio, um elemento químico com a capacidade de conduzir a energia elétrica de acordo com a quantidade de luz que recebe. A possibilidade de transmitir imagens foi explorada e fez nascer a televisão, pelas mãos do escocês John Bardie, em 1925.

Desde então muito mudou na “caixa mágica”. Dos grandes equipamentos com pequenas telas passamos para telas cada vez mais finas e de maiores dimensões. A qualidade de imagem evoluiu e surgiram as chamadas Smart TVs – televisores ligados à internet. Mas que futuro terá a televisão? Será substituída por outras plataformas, ou agregará em si as potencialidades de outros meios?

Em Portugal, são vários os exemplos de tecnologias desenvolvidas, procurando resposta a estas questões. O grupo de investigação Social iTV, da Universidade de Aveiro, trabalha na área desde 2007. Pedro Almeida, um dos coordenadores do projeto, conta ao Ciência 2.0 que “na altura havia a promessa de uma TV com interação e papel semelhantes aos de um computador, mas não será esse o caminho”.

“Já não se coloca a discussão da substituição do meio”

O investigador explica que a televisão continua a ter o seu papel central de consumo passivo de conteúdos e a aposta parece agora voltar-se para a complementaridade com outros dispositivos como o tablet e o smartphone. “Já não se coloca a discussão da substituição do meio, coloca-se a questão da ubiquidade da oferta”, garante.

O trabalho mais recente do Social iTV estará no mercado nos próximos meses. Trata-se de uma aplicação para dispositivos móveis que auxilia a escolha do conteúdo a ver na televisão [ver recursos]. A Guider recomenda conteúdos disponíveis nos sete dias anteriores, após um conjunto de perguntas sobre o género de conteúdo preferido, o tempo que o utilizador tem disponível e a companhia em que assistirá ao programa. A ordem para reproduzir o conteúdo escolhido pode ser dada através da aplicação.

Na edição deste ano do Desafio Televisão do Futuro, promovido pela NOS e pela Microsoft foi distinguido um projeto que também se baseia numa experiência integrada, neste caso de media sociais.

Filipa Peleja, estudante da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, propõe a utilização de algoritmos estatísticos para identificar relações subjetivas entre conteúdos, com base no que é escrito nas redes sociais. A aplicação que desenvolveu faz a recomendação de conteúdos a ver na televisão a partir destas relações. “Já existem outros sistemas do género para recomendação, mas este é o primeiro que integra o que é escrito nas redes sociais”, salienta Filipa, em entrevista ao Ciência 2.0. A ideia valeu-lhe o acesso a um programa de formação que iniciará em 2015.

Voz, gestos e toque a comandar a experiência televisiva

Um pouco mais longe, até Las Vegas, chegou o QUID Box [ver recursos]. O dispositivo, desenvolvido em parceria com a Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), venceu o prémio de inovação atribuído pela Consumer Electronics Show, em janeiro deste ano.

O equipamento engloba serviços como videochamadas, jogos, compras online, descodificação de canais de tv e rádio na web e acesso a conteúdos multimédia de outros meios em tempo real. “Tem ainda a possibilidade de usar comandos por voz e gestos”, salienta Nuno Rodrigues, investigador do IPCA. O interface por gestos funciona através de um sensor de processamento de imagem, “os comandos de voz são captados por um microfone e processados com recurso a um sistema de cancelamento de ruído e amplificação do som”, esclarece.

Em janeiro de 2015, um outro produto português vai ser apresentado na Consumer Electronics Shows - a tecnologia Skin Ultra [ver recursos]. Trata-se de uma espécie de película que, colada por detrás do vidro da televisão, a transforma num “mega-tablet” com capacidade para 100 toques em simultâneo. “Aliar a rapidez de resposta e a precisão à qualidade de imagem num ecrã de grandes proporções foi um grande desafio”, realça Pedro Marques, diretor de desenvolvimento da EDIGMA, empresa responsável pela tecnologia.

“Foi necessário criar uma solução imune à interferência de diferentes campos eletromagnéticos e cujos materiais provocassem o menor impacto possível na qualidade da imagem”, explica ao Ciência 2.0. O produto já está a ser comercializado e a empresa, startup da Universidade do Minho, está em negociações para integração do Skin Ultra nos equipamentos dos maiores fabricantes mundiais de televisões.

Para o especialista, no futuro, a televisão terá de proporcionar experiências de uso semelhantes às dos dispositivos móveis, pois “é isso que o consumidor procura”. 

Foto: Flickr/ SamsungTomorrow

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